Crise

A sombra de um coração selvagem
Rabisca sonhos em meu corpo
Entrega vícios nos olhares
Envolve o calor do medo da luz

Sobra o desejo e a angústia.

Afasta teu corpo e apaga esse passado,
De que lado fica a razão?

Sombra

Foi quando meu pai nao me disse nada
e eu soube que seria assim.
Um pouco como quem se procura fugindo do passado.
Um pouco como quem foge em busca do que nao quer ser.

Subjuntivo

E se eu romper mais uma vez essa luz negra de silencio?
E se eu puder entao voltar a fingir que nao me dói?
E se eu voltar a admitir quase todos os antigos segredos?
E se eu disser que hoje ainda nao sei o que vai se de nós?

E se as peguntas ainda forem antigas?
E se as respostas ainda forem "não sei"?
E se eu nunca mais voltar?

Quando eu te peguntar mais uma vez
Quando eu te disser que ainda não entendo
Quando eu não passar de mais uma lembrança boa...

Que eu possa, que eu volte, que eu diga!

Ainda sem nome...

Queria procurar novas palavras pras velhas idéias,
Novos conceitos pras nossas antigas conversas
Filosofias de risos fáceis e novas amizades, seu café,
Porções de embriaguez e pele quente embaixo das estrelas
Lençóis desarrumados pela bagunça dos corações em festa

Eu talvez deixasse de contar o que aconteceu com a gente,
Tudo o que podia ser diferente e fez nossa alma sofrer
Mas o sol que me chamou pra lá não foi o primeiro,
O que eu vi quando te encontrei foi um som muito ligeiro,
Muito mais certeiro e tão sem fim quanto a minha ousadia

Sei dizer que o que ficou é assim, imutável, improvável,
Te ver de novo um dia, talvez, todo dia sentir sua falta,
O que encontro em meu caminho não me faz voltar atrás
Mas poderia te querer pra sempre.

Sorte é você ainda assim por perto, ainda parte do que eu quis pra mim
Ainda dentro do meu mundo incorrigivelmente torto e falho, e pardo,
Os papéis espalhados em cada cena com seu toque vão sumir
Mas poderia te querer pra sempre

Água

Não quero ter sonhos perdidos
Não quero minha inocência outra vez
Concordo com seus pedidos
Mas não sei como você fez...

O tempo passa tão depressa,
Não sou do tipo que confessa,
Mas canso de me esconder.

A porta abre tão devagar,
Não sou mulher de esperar,
Mas espero por você.

Até quando essa fuga ainda vai funcionar com a gente?
Só queria parar de tentar adivinhar o que sente.
Me acalma, minha alma te guarda em meus olhos
Me afaga, se ajeita que eu te amparo no meu colo.