Pouco



Grave no seu corpo a minha voz.
Quase dois segundos pra entender
que ainda é menos,
A liberdade que ainda não tem nome
continua me chamando pra viver.

Acordo com a sensação de não me pertencer
Ainda sinto tudo que não me deixa em paz.
Me espera hoje um pouco mais?

Eu sei bem quais são as cores e as coisas,
eu sei bem que o tempo passa rápido
e muito devagar.
Mas estou voltando e aprendendo a andar
enquanto me obrigo a esquecer como voar.
Encontro meu silêncio em seu sorriso aberto
E volto a te olhar como a canção que me fez
Me beija devagar mais uma vez?

Noite

Acordei de madrugada e vi você
ao meu lado.
Sem entender, fechei os olhos
e quando abri outra vez
lá estava você, dormindo.

Desde então me pergunto
se ainda vai estar lá
e como ainda não tinha percebido
essa presença noturna.
Esse sono tranquilo a me observar com a alma.

Te vi ao meu lado essa noite
E me vi sem nunca mais dormir
e sem saber
até quando.

Crise

A sombra de um coração selvagem
Rabisca sonhos em meu corpo
Entrega vícios nos olhares
Envolve o calor do medo da luz

Sobra o desejo e a angústia.

Afasta teu corpo e apaga esse passado,
De que lado fica a razão?

Sombra

Foi quando meu pai nao me disse nada
e eu soube que seria assim.
Um pouco como quem se procura fugindo do passado.
Um pouco como quem foge em busca do que nao quer ser.

Subjuntivo

E se eu romper mais uma vez essa luz negra de silencio?
E se eu puder entao voltar a fingir que nao me dói?
E se eu voltar a admitir quase todos os antigos segredos?
E se eu disser que hoje ainda nao sei o que vai se de nós?

E se as peguntas ainda forem antigas?
E se as respostas ainda forem "não sei"?
E se eu nunca mais voltar?

Quando eu te peguntar mais uma vez
Quando eu te disser que ainda não entendo
Quando eu não passar de mais uma lembrança boa...

Que eu possa, que eu volte, que eu diga!