Vozes
Sombra e frio, lugar de silêncio sem fim.
Ondas de abismo criam imagens de um tormento
Que ameaça não passar.
Trevas e solidão abrigam-se em mim.
Move-se pela angústia
Sorri pelo desespero
Canta pela tristeza
A dureza hoje é da vida, mas há novos espaços.
O coração pode enfim renascer.
Tudo que é novo ocupa o lugar do abismo,
mas ainda chega aos poucos.
Luzes acesas, corpo saindo devagar da escuridão.
Palavras, melodia, canção.
Despedida
Ela mais uma vez dormiu chorando. Não conseguiu esconder o som das lágrimas, mas não revelou o motivo. E chorava por não se sentir amada. Mais que a ausência de amor, entristecia e machucava a velada piedade manifesta nos gestos discretos de carinho.
Jamais por orgulho, mas aquele enorme e intenso animal que batia em seu peito, em meu peito, não permitiria esse pouco, não cabia em si pra tanto sentir sozinho.
Era também uma herança.
Por pouco não se vestiu e foi-se para nunca mais. O tempo em horas se encarregou da despedida. Agradecimento. Não precisa. Se for é com tudo de mim, não com uma pequena parte de sorrisos acanhados e mãos dadas.
Não me basta mais e achei que fosse muito.
Vai dormir chorando outras vezes, até encontrar os braços abertos de um sol que aqueça e torne outra vez dócil esse animal selvagem e devasso. Ou até que alguém finalmente atenda ao pedido de seus olhos quase humanos e o endureça para sempre.
Pouco
Grave no seu corpo a minha voz.
Quase dois segundos pra entender
que ainda é menos,
A liberdade que ainda não tem nome
continua me chamando pra viver.
Acordo com a sensação de não me pertencer
Ainda sinto tudo que não me deixa em paz.
Me espera hoje um pouco mais?
Eu sei bem quais são as cores e as coisas,
eu sei bem que o tempo passa rápido
e muito devagar.
Mas estou voltando e aprendendo a andar
enquanto me obrigo a esquecer como voar.
Encontro meu silêncio em seu sorriso aberto
E volto a te olhar como a canção que me fez
Me beija devagar mais uma vez?
Noite
Acordei de madrugada e vi você
ao meu lado.
Sem entender, fechei os olhos
e quando abri outra vez
lá estava você, dormindo.
Desde então me pergunto
se ainda vai estar lá
e como ainda não tinha percebido
essa presença noturna.
Esse sono tranquilo a me observar com a alma.
Te vi ao meu lado essa noite
E me vi sem nunca mais dormir
e sem saber
até quando.
ao meu lado.
Sem entender, fechei os olhos
e quando abri outra vez
lá estava você, dormindo.
Desde então me pergunto
se ainda vai estar lá
e como ainda não tinha percebido
essa presença noturna.
Esse sono tranquilo a me observar com a alma.
Te vi ao meu lado essa noite
E me vi sem nunca mais dormir
e sem saber
até quando.
Crise
A sombra de um coração selvagem
Rabisca sonhos em meu corpo
Entrega vícios nos olhares
Envolve o calor do medo da luz
Sobra o desejo e a angústia.
Afasta teu corpo e apaga esse passado,
De que lado fica a razão?
Rabisca sonhos em meu corpo
Entrega vícios nos olhares
Envolve o calor do medo da luz
Sobra o desejo e a angústia.
Afasta teu corpo e apaga esse passado,
De que lado fica a razão?
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