Pergunta




Me descobri no seu corredor e não era o trem errado!
Transformar cotidiano em poesia faz deixar os erros pro passado…
E o que me deve é só futuro, castigo é estar tão longe.

Tão fácil o riso, a intimidade, isso e aquilo…
E a saudade me impede de jogar mais coisas suas pela janela
Se a minha casa já é sua desde quando mora nos meus olhos!
E tudo que está aqui reflete a luz que você dá a ela...

São poucos hoje os versos, mas diversas noites eles saltam dos meus dedos
Que te procuram nos papéis, livros, canetas e segredos…
Enquanto tento escutar direito e mais alto ainda te chamo…
Não me peça então, perdão? Perdamo!...

Fica

Parece que o dia chega
Toda vez que me abraça
E na bagunça que me faz
Tem seu sorriso que não passa
Seu sorriso... E é onde minha boca quer morar

Sabe que ontem quase me prendeu?
Por pouco nunca mais ia dormir
Pra ver se ia tirar o meu pijama
Ou trazer seus lindos olhos pra me cobrir
Seus olhos... E é onde minha boca quer morar

Quando você veio eu já era noite
E tudo faz pensar que vai ser pouco
Mas gosto desse medo que me dá
De ouvir o som, sentir sua mão em meu rosto

Se afastar do mundo, vamos pra dentro
E quando me tocar a alma sem me ver
Se acalmar do sono, me fazer companhia
No frio que percorre o sentimento fácil
E no calor da chuva que me faz imaginar você

Um menino, meu canto
Meu caminho, seus sonhos
Seu sorriso, seus olhos
E é onde minha boca quer morar.

Não

Espaço pra rever de mim
encontros de viver; sem brilho
Até você chegar, de novo, chegar...

Parte de mim que dormia
Abriga o horizonte numa curva
pra te encontrar, de novo, e contar

Do quanto te esperei a sós
em companhia de outros de ti, mais sol
e quando me abriguei em pós
contra essa azia e angústia, meu mal.
Te amar me acalma e não é doce
Se o mar me leva a onda era
o que você queria que eu fosse.

Me afasto sem querer enfim
E o homem que é apenas filho
Basta, consta, custa menos

Hoje a chuva vai levar os meus venenos
E seus dedos pequenos nunca vão tocar
A maldade, a calçada, o carinho
O papel, o telefone, a blusa, a beleza
a cerveja do meu paladar e o adeus
que carrego em tudo que há de belo e meu!

Tá fugindo, nêga? Não nega...


Será que sou eu?
Que tem você pra não ter o que temer?
Duvido...
Me mostra então,
ou vou pensar ainda que é em vão!