Seu

Ainda me pergunto tantas coisas
Ainda me encontro nas mesmas paredes
Brigando contra monstros de nuvens
Que só a minha mente infantil pode criar
Ainda assim escuto você gritar

Mesmo que baixo, mesmo que sóbrio,
Mesmo que ainda sobre um ódio de mim
Mesmo que ainda falte um tempo pro fim
Sobretudo a esperança de estar tentando tudo em vão
Em cada espaço que me falta do seu abraço ouço passos

O andar do que hoje é homem e me vê de branco
Assusta ainda mais meu tom de voz se eu não te canto
E o pior é que eu sei que é meu esse olhar tão doce
E o pior é que eu sei que não posso lutar contra esse dom
De viver a liberdade nos teus braços de faz de conta.

Meu quase, meu sempre, meu medo é de mim
Meu sinal pra partir é ontem, enquanto me olha
Meu despertar é na fúria dos desejos que criei
Pra fugir do desespero dessa coisa imensa
Dessa enorme certeza de tanto amor.

Pergunta




Me descobri no seu corredor e não era o trem errado!
Transformar cotidiano em poesia faz deixar os erros pro passado…
E o que me deve é só futuro, castigo é estar tão longe.

Tão fácil o riso, a intimidade, isso e aquilo…
E a saudade me impede de jogar mais coisas suas pela janela
Se a minha casa já é sua desde quando mora nos meus olhos!
E tudo que está aqui reflete a luz que você dá a ela...

São poucos hoje os versos, mas diversas noites eles saltam dos meus dedos
Que te procuram nos papéis, livros, canetas e segredos…
Enquanto tento escutar direito e mais alto ainda te chamo…
Não me peça então, perdão? Perdamo!...

Fica

Parece que o dia chega
Toda vez que me abraça
E na bagunça que me faz
Tem seu sorriso que não passa
Seu sorriso... E é onde minha boca quer morar

Sabe que ontem quase me prendeu?
Por pouco nunca mais ia dormir
Pra ver se ia tirar o meu pijama
Ou trazer seus lindos olhos pra me cobrir
Seus olhos... E é onde minha boca quer morar

Quando você veio eu já era noite
E tudo faz pensar que vai ser pouco
Mas gosto desse medo que me dá
De ouvir o som, sentir sua mão em meu rosto

Se afastar do mundo, vamos pra dentro
E quando me tocar a alma sem me ver
Se acalmar do sono, me fazer companhia
No frio que percorre o sentimento fácil
E no calor da chuva que me faz imaginar você

Um menino, meu canto
Meu caminho, seus sonhos
Seu sorriso, seus olhos
E é onde minha boca quer morar.

Não

Espaço pra rever de mim
encontros de viver; sem brilho
Até você chegar, de novo, chegar...

Parte de mim que dormia
Abriga o horizonte numa curva
pra te encontrar, de novo, e contar

Do quanto te esperei a sós
em companhia de outros de ti, mais sol
e quando me abriguei em pós
contra essa azia e angústia, meu mal.
Te amar me acalma e não é doce
Se o mar me leva a onda era
o que você queria que eu fosse.

Me afasto sem querer enfim
E o homem que é apenas filho
Basta, consta, custa menos

Hoje a chuva vai levar os meus venenos
E seus dedos pequenos nunca vão tocar
A maldade, a calçada, o carinho
O papel, o telefone, a blusa, a beleza
a cerveja do meu paladar e o adeus
que carrego em tudo que há de belo e meu!