Mais um dia

Não consegui dormir, comer, estudar
Não consegui entender essa tristeza
que ficou em mim.

Me despedi de você como quem
se despede de casa. O medo de sair
cada vez me empurra mais pra fora.

A paz que pareço ser já não mora mais em mim.
Preciso encontrar minhas razões
Enfrentar minha natureza e evoluir
Mas não consegui ser forte hoje
e tive medo de não ser mais.

Pude entender que não entendo nada.
Que pra nada me vale um grande coração
que não consegue ser inteiro,
que não consegue não se sentir culpado.

A ausência e a realidade também me despertam.
E fico aqui mais um dia
com a mesma vontade que você... sumir.

Ainda


De fora desse seu mundo 
Te vejo, te escuto 
E procuro decifrar esse silêncio 
Intenso, profundo 
Que sempre me cala.

Só a solidão dos teus acordes 
Desperta minhas mãos 
Só a rouquidão dessas palavras 
Tenta te trazer de volta, em vão 

O que nos aproxima, enfim, 
Talvez não seja tão capaz 
De unir ao que falta um pouco 
E sanar um coração tão louco 

Ainda não foi dessa vez 
Mas é parte da tentativa de
ainda,
me sentir mais viva.

Vozes



Sombra e frio, lugar de silêncio sem fim.

Ondas de abismo criam imagens de um tormento

Que ameaça não passar.

Trevas e solidão abrigam-se em mim.



Move-se pela angústia

Sorri pelo desespero

Canta pela tristeza



A dureza hoje é da vida, mas há novos espaços.

O coração pode enfim renascer.

Tudo que é novo ocupa o lugar do abismo,

mas ainda chega aos poucos.



Luzes acesas, corpo saindo devagar da escuridão.

Palavras, melodia, canção.

Despedida

Ela mais uma vez dormiu chorando. Não conseguiu esconder o som das lágrimas, mas não revelou o motivo. E chorava por não se sentir amada. Mais que a ausência de amor, entristecia e machucava a velada piedade manifesta nos gestos discretos de carinho.

Jamais por orgulho, mas aquele enorme e intenso animal que batia em seu peito, em meu peito, não permitiria esse pouco, não cabia em si pra tanto sentir sozinho.

Era também uma herança.

Por pouco não se vestiu e foi-se para nunca mais. O tempo em horas se encarregou da despedida. Agradecimento. Não precisa. Se for é com tudo de mim, não com uma pequena parte de sorrisos acanhados e mãos dadas.

Não me basta mais e achei que fosse muito.

Vai dormir chorando outras vezes, até encontrar os braços abertos de um sol que aqueça e torne outra vez dócil esse animal selvagem e devasso. Ou até que alguém finalmente atenda ao pedido de seus olhos quase humanos e o endureça para sempre.

Pouco



Grave no seu corpo a minha voz.
Quase dois segundos pra entender
que ainda é menos,
A liberdade que ainda não tem nome
continua me chamando pra viver.

Acordo com a sensação de não me pertencer
Ainda sinto tudo que não me deixa em paz.
Me espera hoje um pouco mais?

Eu sei bem quais são as cores e as coisas,
eu sei bem que o tempo passa rápido
e muito devagar.
Mas estou voltando e aprendendo a andar
enquanto me obrigo a esquecer como voar.
Encontro meu silêncio em seu sorriso aberto
E volto a te olhar como a canção que me fez
Me beija devagar mais uma vez?

Noite

Acordei de madrugada e vi você
ao meu lado.
Sem entender, fechei os olhos
e quando abri outra vez
lá estava você, dormindo.

Desde então me pergunto
se ainda vai estar lá
e como ainda não tinha percebido
essa presença noturna.
Esse sono tranquilo a me observar com a alma.

Te vi ao meu lado essa noite
E me vi sem nunca mais dormir
e sem saber
até quando.

Crise

A sombra de um coração selvagem
Rabisca sonhos em meu corpo
Entrega vícios nos olhares
Envolve o calor do medo da luz

Sobra o desejo e a angústia.

Afasta teu corpo e apaga esse passado,
De que lado fica a razão?

Sombra

Foi quando meu pai nao me disse nada
e eu soube que seria assim.
Um pouco como quem se procura fugindo do passado.
Um pouco como quem foge em busca do que nao quer ser.

Subjuntivo

E se eu romper mais uma vez essa luz negra de silencio?
E se eu puder entao voltar a fingir que nao me dói?
E se eu voltar a admitir quase todos os antigos segredos?
E se eu disser que hoje ainda nao sei o que vai se de nós?

E se as peguntas ainda forem antigas?
E se as respostas ainda forem "não sei"?
E se eu nunca mais voltar?

Quando eu te peguntar mais uma vez
Quando eu te disser que ainda não entendo
Quando eu não passar de mais uma lembrança boa...

Que eu possa, que eu volte, que eu diga!

Ainda sem nome...

Queria procurar novas palavras pras velhas idéias,
Novos conceitos pras nossas antigas conversas
Filosofias de risos fáceis e novas amizades, seu café,
Porções de embriaguez e pele quente embaixo das estrelas
Lençóis desarrumados pela bagunça dos corações em festa

Eu talvez deixasse de contar o que aconteceu com a gente,
Tudo o que podia ser diferente e fez nossa alma sofrer
Mas o sol que me chamou pra lá não foi o primeiro,
O que eu vi quando te encontrei foi um som muito ligeiro,
Muito mais certeiro e tão sem fim quanto a minha ousadia

Sei dizer que o que ficou é assim, imutável, improvável,
Te ver de novo um dia, talvez, todo dia sentir sua falta,
O que encontro em meu caminho não me faz voltar atrás
Mas poderia te querer pra sempre.

Sorte é você ainda assim por perto, ainda parte do que eu quis pra mim
Ainda dentro do meu mundo incorrigivelmente torto e falho, e pardo,
Os papéis espalhados em cada cena com seu toque vão sumir
Mas poderia te querer pra sempre

Água

Não quero ter sonhos perdidos
Não quero minha inocência outra vez
Concordo com seus pedidos
Mas não sei como você fez...

O tempo passa tão depressa,
Não sou do tipo que confessa,
Mas canso de me esconder.

A porta abre tão devagar,
Não sou mulher de esperar,
Mas espero por você.

Até quando essa fuga ainda vai funcionar com a gente?
Só queria parar de tentar adivinhar o que sente.
Me acalma, minha alma te guarda em meus olhos
Me afaga, se ajeita que eu te amparo no meu colo.

Pimenta

Se importa se eu quiser mais
Que uma estrofe e uma insônia?
Se eu quiser o mesmo
E tudo em mim que pede a sua boca?

Se eu quiser toda a palavra
Que soletra suas mãos
Em meu corpo, em meus olhos,
Se eu te quiser essa noite, essa vez.

Se importa se ainda houver desejo?
E se a vontade me disser que só passa
Com os seus dedos no piano tocando a minha alma,
Com a sua boca em meu ouvido
prejudicando minha razão.

E se eu disser que talvez não me arrependa,
E se eu disser que ainda vou cedo,
E que andei pensando, e assim mesmo,
Não vou te deixar passar sem um pouco de mim.

Se importa se eu quiser algo além do verbo?
E se ainda forem os verbos errados,
Cansados, nos renderemos aos predicados.

Something new

I’ve been trying to sleep as well
But I can still to feel your smell
In my hands…

I’ve been holding my hope as well
But I’m already able to spell
Your lyrics…

My mind is blowing through your hair,
Through your embracing arms that made me weak,
Dancing to be strong, praying to be wrong,
Looking for sing your body before to get this sick.

Can we move, cane we go ahead so far,
Cause my sin is to be in fire, to desire freedom
Waiting to be ready, Falling on you steady,
Singing to look for some reason.

Seu

Ainda me pergunto tantas coisas
Ainda me encontro nas mesmas paredes
Brigando contra monstros de nuvens
Que só a minha mente infantil pode criar
Ainda assim escuto você gritar

Mesmo que baixo, mesmo que sóbrio,
Mesmo que ainda sobre um ódio de mim
Mesmo que ainda falte um tempo pro fim
Sobretudo a esperança de estar tentando tudo em vão
Em cada espaço que me falta do seu abraço ouço passos

O andar do que hoje é homem e me vê de branco
Assusta ainda mais meu tom de voz se eu não te canto
E o pior é que eu sei que é meu esse olhar tão doce
E o pior é que eu sei que não posso lutar contra esse dom
De viver a liberdade nos teus braços de faz de conta.

Meu quase, meu sempre, meu medo é de mim
Meu sinal pra partir é ontem, enquanto me olha
Meu despertar é na fúria dos desejos que criei
Pra fugir do desespero dessa coisa imensa
Dessa enorme certeza de tanto amor.

Pergunta




Me descobri no seu corredor e não era o trem errado!
Transformar cotidiano em poesia faz deixar os erros pro passado…
E o que me deve é só futuro, castigo é estar tão longe.

Tão fácil o riso, a intimidade, isso e aquilo…
E a saudade me impede de jogar mais coisas suas pela janela
Se a minha casa já é sua desde quando mora nos meus olhos!
E tudo que está aqui reflete a luz que você dá a ela...

São poucos hoje os versos, mas diversas noites eles saltam dos meus dedos
Que te procuram nos papéis, livros, canetas e segredos…
Enquanto tento escutar direito e mais alto ainda te chamo…
Não me peça então, perdão? Perdamo!...

Fica

Parece que o dia chega
Toda vez que me abraça
E na bagunça que me faz
Tem seu sorriso que não passa
Seu sorriso... E é onde minha boca quer morar

Sabe que ontem quase me prendeu?
Por pouco nunca mais ia dormir
Pra ver se ia tirar o meu pijama
Ou trazer seus lindos olhos pra me cobrir
Seus olhos... E é onde minha boca quer morar

Quando você veio eu já era noite
E tudo faz pensar que vai ser pouco
Mas gosto desse medo que me dá
De ouvir o som, sentir sua mão em meu rosto

Se afastar do mundo, vamos pra dentro
E quando me tocar a alma sem me ver
Se acalmar do sono, me fazer companhia
No frio que percorre o sentimento fácil
E no calor da chuva que me faz imaginar você

Um menino, meu canto
Meu caminho, seus sonhos
Seu sorriso, seus olhos
E é onde minha boca quer morar.

Não

Espaço pra rever de mim
encontros de viver; sem brilho
Até você chegar, de novo, chegar...

Parte de mim que dormia
Abriga o horizonte numa curva
pra te encontrar, de novo, e contar

Do quanto te esperei a sós
em companhia de outros de ti, mais sol
e quando me abriguei em pós
contra essa azia e angústia, meu mal.
Te amar me acalma e não é doce
Se o mar me leva a onda era
o que você queria que eu fosse.

Me afasto sem querer enfim
E o homem que é apenas filho
Basta, consta, custa menos

Hoje a chuva vai levar os meus venenos
E seus dedos pequenos nunca vão tocar
A maldade, a calçada, o carinho
O papel, o telefone, a blusa, a beleza
a cerveja do meu paladar e o adeus
que carrego em tudo que há de belo e meu!

Tá fugindo, nêga? Não nega...


Será que sou eu?
Que tem você pra não ter o que temer?
Duvido...
Me mostra então,
ou vou pensar ainda que é em vão!

Essa coisa...

Mas que saco essa coisa de amor!
Dá licença pra eu pensar?
Sai da frente pra eu passar...

Que coração que nada,
Hoje eu vou pra balada
E não tô preocupada, sabe?
Porque a fila sempre anda
Deixa em paz minha cabeça
que hoje é meu corpo que manda...

Tá ouvindo esse som?
Então se mexe, vira música, voa, que é tão bom!
Assim o mundo para de ser chato
E não tenho que pagar o pato
Por um coração de pedra e pecado...

Mas que saco essa coisa de amor!